Nós Que Aqui Estamos Por Vós Esperamos
Título Original: Nós Que Aqui Estamos Por Vós Esperamos
Gênero: Documentário
Origem/Ano: BRA/1999
Duração: 73 min
Direção: Marcelo Masagão
Sinopse:
É um filme-memória sobre o século XX, a partir de recortes biográficos reais e
ficcionais de pequenos e grandes personagens que viveram neste século. Este
filme pretende discutir a banalização da morte e por correspondência direta, da
vida. Noventa e cinco por cento das imagens são de arquivo: filmes antigos,
fotos e reportagens de TV. O filme não tem um locutor e nem depoimentos orais
dos personagens envolvidos.
A sonorização é toda realizada com música, efeitos sonoros e silêncios. A música
é de Wim Mertens. O título, "Nós que aqui estamos, por vós esperamos" foi
extraído do pórtico de um cemitério de uma cidade do interior de São Paulo.
Este filme é
fruto de uma bolsa de estudos que ganhei da Fundação MacArthur.
Durante três anos estudei o século XX exaustivamente. No início de meus estudos,
cheguei perto de uma crise de esquizofrenia. Só acalmei e consolei-me quando
percebi que mais esquizofrênico que eu era o próprio século. Em nenhuma outra
época histórica a dualidade CRIAÇÃO/DESTRUIÇÃO se manifestou de forma tão
POTENCIALIZADA. Qual aspecto deste século discutir, se os assuntos são tão
intrincados, contraditórios e difíceis de se compreender?
Resolvi discutir um dos fatos que mais me chamam a atenção neste final de
século, isto é a BANALIZAÇÃO DA MORTE e, por correspondência direta, a
Banalização da VIDA.
Comecei então a visitar cemitérios e imaginar pequenos recortes biográficos da
vida de pessoas que eu não conhecia. Como por exemplo, que time de futebol
torcia José da Silva que durante 40 anos trabalhou numa linha de produção de
Veículos da Renault; qual era a receita de bolo secreta que tal senhora fazia...
Comecei a imaginar como esses detalhes de cada pessoa ali morta poderia
conectar-se com os fatos históricos ou tendências comportamentais do século:
como estas pessoas e suas pequenas biografias davam consistência carnal,
psíquica e social aos fatos históricos que os historiadores, sociólogos ou
psicólogos do comportamento discutem em seus livros.
Pensar também como, na maioria das vezes, os pequenos personagens não só
avalizam como dão consistência singular ao discurso maluco dos grandes
personagens.
Apesar de falar muito da história do século, minha intenção não foi ser
enciclopedista, professoral ou mesmo respeitar a linearidade temporal dos fatos.
Tomei duas decisões importantes ao desenhar meu documentário: não coloquei
nenhum dado estatístico e nenhum tipo de locução no documentário.
O locutor é um personagem que geralmente ocupa o papel de ator principal na
maioria dos documentários. É como se a realidade sempre necessitasse do aval da
PALAVRA para ter legitimidade. Cada vez mais considero que a palavra em forma de
fala é muito limitada e comunica muito pouco.
O locutor parece querer sistematizar o buraco do não compreendido.
Além do que o locutor adora vomitar dados estatísticos - e quando se fala de
morte, a estatística vale pouco. Na morte, não interessa o milhar, mas a
unidade-próxima. Ouvir notícias de milhares de mortos na Guerra da Bósnia, na
fome africana ou no desastre de avião, parece sonorizar pouco e só acaba tendo
dimensão real se o morto em alguma dessas catástrofes for meu parente ou amigo.
Resolvi também tirar todo tipo de depoimento, pois sejam de grandes ou de
pequenos personagens, os depoimentos parecem estar cada vez mais fadados ao
espetáculo, ao ego mentirinha, a dizer pouco sobre nossa complexa e conturbada
vida psíquica.
Colocando só música, ruídos e silêncios, procurei não tapar o buraco do
desconhecido, do não dito, do não que talvez seja o sim, ou, quem sabe, o
talvez.
É um filme realizado com orçamento baixo, mesmo para os padrões brasileiros.
Gastei cerca de R$ 140.000,00 (cento e quarenta mil reais), dos quais 80.000,00
foram consumidos com pagamentos de direitos autorais a mais de 40 instituições
ou pessoas nos 4 continentes.
Um computador me ajudou muito nas 2.000 horas que gastei na edição deste filme.
Bom Apetite.
Marcelo Masagão
Com base na
história e na psicanálise, Marcelo Masagão compôs um complexo mosaico de
memórias do século 20. Seu recurso à justaposição de imagens e seqüências
fragmentadas, ao invés de uma narrativa contínua e linear, capturou o âmago
mesmo desse tempo turbulento. A irrupção nele da cultura moderna indicava
precisamente isso: a ruptura de todos os elos com o passado; o imperativo da
supremacia tecnológica; a penetração ampla e profunda em todas as dimensões,
macro e micro, da matéria, da vida e do universo; o anseio da aceleração, da
intensidade, e da conectividade; a abolição dos limites do tempo e do espaço. O
que mais marca este momento portanto, é justamente essa multiplicação de
energias, a pluralidade das sensações e das experiências, o esfacelamento da
consciência e a interação com os mais diversificados contextos.
A história se pulveriza numa miríade de registros e o inconsciente aflora,
magnificado pela potência das novas fontes de estimulação sensorial, bem como
pelo choque traumático das forças destrutivas deslaçadas sobre a humanidade.
Sensível e ponderado foi também o seu modo de jogar com as perspectivas de
gentes simples e anônimas, nascidas no torvelinho das grandes transformações,
dragadas pelas engrenagens dos gigantescos complexos industriais, as linhas de
montagem, o lazer massificado, a publicidade, os apelos do consumo, as alegrias
da dança e do corpo liberado, os rigores trágicos das crises e da guerra. Dando
nome a essas criaturas minúsculas, ele ao mesmo tempo devolve o quinhão de
humanidade que lhes foi negado, como destaca o modo pelo qual a dinâmica social
opera através da modulação dos comportamentos, a rotinização do cotidiano e a
galvanização das mentes.
Dentre a massa de personagens anônimos ressaltam alguns rostos e nomes famosos:
artistas, cientistas, intelectuais, líderes políticos e espirituais. Eles
funcionam como chaves que articulam tendências de ampla configuração em
diferentes níveis da experiência social e cultural. Catalisando processos em
andamento, eles ao mesmo tempo dão voz às minorias silenciosas, como sinalizam
alternativas ou consolidam estados latentes de aspiração, conformação, revolta
ou ressentimento. A história é tramada nessa imprevisível dialética entre
pressões estruturais, decisões individuais, desejos, pavores e projeções
subconscientes, tensões sociais e a polifonia de vozes que dão forma e expressão
às conjunturas.
A singela fórmula " nós que aqui estamos, por vós esperamos ", gravada no portal
do pequeno cemitério de província, é outro dos achados cintilantes deste filme.
Por um lado, ela oferece um contraponto tocante às ambições grandiloqüentes do
século 20 e de sua modernidade. Evoca a fragilidade e os estreitos limites da
condição humana, os quais têm sido sistematicamente ignorados por poderes e
ambições que atravessaram o período impondo demandas e sacrifícios exorbitantes.
Por outro lado, apresentada no final do filme, a frase ressoa e opera como um
feixe que conecta todos os fragmentos dispersos, nos transportado para dentro
daquele mundo, como mais uma memória que irá se somar a esse painel dramático,
ligada a cada detalhe dele por vínculos de solidariedade e compaixão. Os temas
compulsivos e recursivos das músicas de Win Mertens funcionam como o nexo
emotivo que, se instila ritmo e vibração às imagens, também nos pões em sintonia
com os sonhos profundos que animaram nossos irmãos e irmãs nessa aventura
histórica ainda mal entendida e certamente inacabada, mas que obras como essa
nos ajudam a vislumbrar e a compreender melhor. Creio que é isso também que
eles, lá na sombra discreta do cemitério, esperam de nós.
Nicolau
Sevcenko
São
Paulo, 22 de dezembro de 1999
Professor de História da Cultura USP-SP
Esse
maravilhoso e repulsivo século
Se o tempo não faz senão acumular cadáveres, existe algo de necrofilia nessa
coisa que chamamos de história. Em algum sentido, para fazer uma retrospectiva
do século, é preciso escarafunchar os túmulos, perturbar o sono dos mortos e
trazê-los de volta à vida. Um século é feito de crenças, ideologias, ambições,
entusiasmos, sonhos, alucinações, insensatez, que depois de iluminar ou
obscurecer o seu tempo, se transformam em cinzas e são enterrados junto com seus
protagonistas. Eis porque esta melancólica mirada sobre o século que agoniza
traz um título retirado justamente do pórtico da entrada de um cemitério: "Nós
Que Aqui Estamos, Por Vós Esperamos".
O século XX reconstituído por Marcelo Masagão, a partir do exame de centenas de
milhares de metros de materiais de arquivos, desde o tempo de Thomas Edison até
hoje, tem ares de um necrológio dos personagens que fizeram o século, sejam eles
grandes ou pequenos, importantes ou insignificantes, visionários ou vândalos,
alguns reais, outros imaginários (mas sempre baseados em registros documentais).
Nenhuma lição, nenhuma moral, nenhuma pretensiosa análise do esprit du temps
sintetizam essas imagens. Do século que se vai, ficam apenas as pequenas
histórias individuais, os acontecimentos esparsos, as utopias perdidas. Ao
apagarem-se as luzes do período, não nos resta mais a fazer senão o levantamento
do espólio.
Mas, por outro lado, o século recuperado por Masagão tem também um frescor que
não se encontra nas habituais edições de materiais de arquivos. O essencial
neste filme não é apenas a vasta pesquisa de imagens, mas sobretudo a maneira
como essas imagens são associadas entre si numa montagem espirituosa e
inteligente. Na verdade, o filme é estruturado na forma de pequenas unidades de
montagem, como se fossem hacais áudio-visuais, onde acontecimentos distantes no
tempo e no espaço são comparados, confrontados e explorados em todas as suas
possibilidades plásticas, poéticas e conceituais. Para a obtenção desse
resultado, o autor soube extrair o melhor dos novos recursos de edição
não-linear possibilitados pelos sistemas digitais.
Diz-se que o século XX é (foi?) o século das imagens. De fato, o cinema e,
depois, a televisão povoaram a imaginação de seus respectivos contemporâneos.
Num certo sentido, o filme de Marcelo Masagão se propõe a dupla tarefa de
verificar como uma civilização construiu-se a si própria na forma de imagens e,
alternativamente, como essas imagens reconstruíram uma civilização.
Arlindo Machado
Nós Que Aqui
Estamos, Por Vos Esperamos é quase inteiramente composto de material de arquivo.
O trabalho de montagem de um filme como este dá-se principalmente a nível do
plano (ou parte dele): um plano é extraído de seu contexto - o filme original é
desmontado - para ser inserido numa nova montagem. Nessa transposição, ele perde
sua significação original, ou parte dela, e adquire outra que lhe é atribuída
pelo novo contexto imagético e sonoro. O que era patético na montagem original
pode tornar-se cômico na nova. Se, da primeira montagem, se guardarem dois
planos consecutivos respeitando o corte, em geral não será com a finalidade de
preservar o original, mas porque a nova montagem terá como que contaminado a
montagem anterior, o filme em elaboração contamina o filme já feito.
A este tipo de trabalho, poderia se aplicar a qualificação de "releitura", termo
em moda? Sim e não. Não, porque ele trata as imagens originais como matéria
prima para seus fins próprios. Sim, se considerarmos que a ressignificação
explora o potencial significativo da imagem original, o que pode repercutir no
filme original. Podemos tomar como exemplo o plano do cavalo caído que Masagão
extraiu do filme de Walther Ruttmann "Berlim sinfonia de uma grande cidade". No
filme de Ruttmann, o cavalo caído é em seguida erguido; e deve-se notar que,
embora as ruas estejam dominadas por carros, a tração a cavalo continua presente
em Berlim. A queda do cavalo tem em Ruttmann um pouco o caráter de uma anedota,
do tipo coisas que acontecem numa cidade. Masagão guarda apenas o cavalo caído e
lhe acrescenta o letreiro "a cidade já não cheirava a cavalo". O sentido que se
imprime assim ao plano (desaparecimento da tração a cavalo) reverbera um pouco
no filme de Ruttmann, porque, apesar da presença da tração a cavalo, sugere-se
que ela está em via de desaparecimento inclusive em Berlim, ou seja, o plano
anedótico de Ruttmann pode se carregar de uma significação mais genérica.
Esse tipo de montagem tem uma vertente destrutiva e outra construtiva. A
destruição consiste em extirpar uma imagem da montagem original e despojá-la da
significação que lhe atribuía o contexto imagético, sonoro e verbal em que
estava inserida. É construtiva a sua colaboração à composição do novo filme. Em
realidade a destruição nunca é total.
Tomemos como exemplo o plano de uma mulher passando aspirador numa casa
classe-média. Pertencente provavelmente a um filme de ficção dos primeiros anos
do século, ela perdeu os nexos significativos que lhe dava a montagem original,
e adquire outra pela sua inserção numa seqüência do filme de Masagão. Mas essa
perda não é total, há um resíduo: preserva uma certa narratividade (mulher
passando aspirador...) e a sua característica de imagem do início do século.
Como vai funcionar o resíduo e como vai se dar o trabalho de ressignificação? A
seqüência onde ela é inserida trata da situação pós-segunda guerra mundial das
mulheres que trabalharam na indústria durante a guerra. Há um tempo
relativamente preciso em atuação neste momento do filme: segunda metade dos anos
40. Há uma nítida relação causal entre esta guerra e a situação das mulheres. Aí
um dos elementos residuais entra em operação: a surpresa provocada pelo
aparecimento de uma imagem dos primeiros anos do século numa seqüência que
aborda um tema da segunda metade dos anos 40.
O efeito de surpresa é atuante: abole o efeito narrativo e a preocupação
cronológica, projetando a significação em outro nível: o conceitual. Não se
trata de descrever a situação das mulheres após os anos passados nas fábricas,
mas de impostar a questão num nível de tipo sociológico: a volta às fábricas dos
homens desmobilizados devolve as mulheres às tarefas domésticas e, no filme de
Masagão, provoca uma depressão conseqüente.
As diversas imagens que compõem a seqüência, ao conectar entre si épocas
diversas, mulheres diversas, atividades domésticas diversas, dilui a
particularidade de cada uma delas para evoluir para o genérico. Este se constrói
quando o espectador percebe o ou os denominadores comuns das várias imagens,
expulsando as diferenças. Não é a soma de uma mulher dos anos 10, e de outra
mulher dos anos 30, e mais outra dos anos 50, mas: A mulher pós-guerra,
significação conferida pela nova montagem. As diferenças são expulsas, o que não
implica que fiquem totalmente inoperantes: a sua expulsão reforça o denominador
comum. Para o espectador, é um processo que se dá no tempo, ele não começa na
primeira imagem, mas na segunda ou na terceira; tendo sido rompido a linha
narrativa e a cronológica, o espectador se reequilibra em outro nível, o do
genérico, o do conceito. De fato, esse procedimento permite à linguagem
cinematográfica evoluir em direção ao conceito e à impostação ensaística, o que
é um desafio para uma linguagem que foi sobretudo orientada neste século para
contar histórias, e que em geral só escapa a isto graças à locução sobreposta às
imagens, enquanto o filme de Masagão opera com mecanismos que permite, pela
seleção e ordenação das imagens, uma impostação ensaística. O que não quer dizer
que Masagão descarte totalmente a palavra, no caso escrita. É uma palavra que
fecha a seqüência das mulheres: "e a depressão". Este letreiro vem sobreposto a
uma imagem que representa uma mulher sentada num sofá de frente para a câmera.
Diríamos que ela está triste, ou desanimada, ou pensativa, ou cansada, ou
deprimida, por que não? Talvez o mais lógico seja dizer "cansada", já que a
mulher sentada foi precedida por vários planos de tarefas domésticas. Esta
significação é aceitável no contexto do filme, tanto mais que a lanterninha do
quadro "New York movie" de Edward Hopper, visto em seqüência anterior, já tinha
sido qualificada de "hoje cansada". Mas não é a esta significação, ou apenas a
ela, que desta vez Masagão quer levar o espectador, quer ir mais longe. No
entanto, a conceituação não consegue se estabelecer exclusivamente através da
composição imagética e da montagem, recorrer ao verbal foi necessário. Neste
momento, acredito que o filme se situa em cheio num dos principais problemas
encontrados pelas imagens do nosso século - ou pelas imagens em geral? Vivemos,
costuma-se dizer, numa civilização onde as imagens proliferam como cogumelos; no
entanto, nesta civilização, raramente as imagens vêm sozinhas. É como se
tivéssemos medo do seu potencial significativo, de sua plurisemia que dispara em
todas as direções, ou ao contrário medo de que não signifiquem suficientemente.
Esses dois motivos contraditórios, operando alternada ou simultaneamente (sic),
nos levam a usar parapeitos protetores para limitar a plurisemia e orientar a
leitura. E isso vale para os out-door publicitários, as fotografias
jornalísticas e suas legendas, como para o monólogo de Glauber Rocha em "A idade
da terra". Aqui, "depressão" orienta a leitura num determinado sentido,
bloqueando outras direções: não interpretar a mulher sentada como apenas
"cansada", nem como uma mulher que não tem o que fazer na vida.
Este me parece ser um dos principais mecanismos em atuação no filme de Masagão.
O filme trata de século XX (principalmente da primeira metade com
prolongamentos), mas o faz diferentemente de outro filme igualmente composto com
material de arquivo, como "Ce siècle a cinquante ans". Aí existe a preocupação
de usar as imagens como documentos para constituir uma narrativa que relata
cronologicamente os fatos sócio-políticos considerados mais relevantes da
primeira metade do século. O filme de Masagão não despreza os fatos, mas estes
não constituem seu objetivo maior. Ele usa alguns fatos (guerras, muro de
Berlim) como referências, mas o objetivo é antes algo como o imaginário, a ou as
mentalidades do século. É para a realização dessa proposta que se torna
particularmente eficiente a quebra da cronologia das imagens, bem como a perda
ou a enorme diminuição de seu teor narrativo.
O mecanismo que opera na seqüência das mulheres pós-guerra e várias outras é um
dos mais importantes do filme, ou aquele de que eu mais gosto, mas não é o
único. Não penso que se possa falar em ressignificação a respeito do uso feito
do material que apresenta cenas urbanas através de um prisma, em voga nos anos
20, que multiplica a imagem dentro do quadro, enfatizando com este recurso a
agitação urbana.
Aqui, o imaginário urbano mobilizado por Masagão é o mesmo proposto pelo
material original. Portanto, seria neste caso mais adequado falar em citação, já
que as imagens conservam a significação do contexto original. É interessante
tentar estabelecer uma relação entre estas citações e a ressignificação da
seqüência comentada acima. Essas imagens prismáticas me parecem resistir a um
processo de ressignificação, por ter uma elaboração visual forte (no caso, a
composição plástica possibilitada pelo prisma e a duração do plano). Essa
elaboração não se deixa facilmente diluir. A operação praticada na seqüência das
mulheres é bem resolvida por trabalhar com imagens menos destacadas, facilitando
a diluição e a ressignificação. É necessário que o material tenha digamos uma
certa neutralidade para que a operação se realize plenamente. É só imaginar o
que ocorreria com a seqüência das mulheres se uma delas, espanando algum
aparador, fosse Marilyn Monroe, ou compará-la a "Home stories" de Matthias
Muller, que contém apenas material de arquivo, onde a personagem feminina se
constrói com planos de Kim Novak, Doris Day, Grace Kelly e outras vedetes. Essa
forma de montagem é usada em várias seqüências do filme, por exemplo a do muro
de Berlim: a construção do muro inicia-se no campo, prossegue em ambiente
urbano, e a fuga do soldado se dá por cima de uma grade que nada tem a ver com o
que vimos sendo construído. Trata-se indiscutivelmente do muro de Berlim, mas
como que desrealizado, a montagem nos remete a um fato (muro) e ao mesmo tempo
distancia-se dele para possibilitar que nos encaminhemos para uma reflexão mais
ampla, de teor político. Os regimes comunistas, a opressão. Mas a nossa reflexão
é dirigida: não caminharemos tanto na direção de uma reflexão política geral,
pois o primeiro plano do soldado que se prepara para a fuga, bem como os
antecedentes do filme dedicado às "pequenas biografias", nos encaminham para a
presença do muro na vida cotidiana de pessoas "insignificantes", um dos eixos
temáticos do filme.
O filme de Masagão opera com outras formas de montagem que merecem consideração.
Uma delas consiste na inserção de uma segunda imagem dentro de uma imagem
principal. Essas incrustações quebram a montagem visual consecutiva que foi até
agora a forma da montagem cinematográfica. Mas deixo de lado este assunto, de
que não se pode falar sem se deter longamente em Peter Greenaway. É bom, no
entanto, anotar que Masagão trabalha no mínimo duas possibilidades da
incrustação. Numa delas, a imagem incrustada passa a ter um papel mais
importante do que aquela em que está incrustada, a qual se torna um fundo.
Assim, na longa seqüência das mulheres, aparece um plano amarelo apresentando
uma mulher que brinca com outras, que se encontram dentro de copos cheios de
água, estilo Bela Época. Nesta imagem, virão se instalar outras que ocuparão a
quase totalidade da tela, deixando espaço apenas para as bordas do plano
amarelo, as quais passam a funcionar como
moldura. É o que ocorre com o trecho comentado acima, que acaba com a
"depressão". Neste caso, a imagem incrustada tem o papel predominante, enquanto
a outra funciona como uma espécie de leit-motiv que contribui para assegurar a
unidade e o fluxo de uma seqüência longa, que integra materiais díspares e
aborda diversas vertentes do tema principal.
Encontramos um outro uso da incrustação no plano de Artur Bispo do Rosário, "que
fez uma roupa especial para se encontrar com Deus", nos diz o letreiro.
Incrustada na capa de Bispo, instala-se uma imagem mostrando um homem que tenta
voar com asas artificiais. A idéia de vôo, pela elevação física no céu, nos
remete ironicamente ao aproximar-se de Deus e a "perto de Deus", que é um dos
temas da seqüência das religiões conforme indicação dos letreiros. Tal
incrustação, de curta duração, complementa a imagem base sem lhe contestar a
primazia. Além disso, ela tem outra função, pois expande, à distância, a
significação da seqüência, vista anteriormente, do alfaiate que se jogou da
Torre Eiffel para voar. Na seqüência do alfaiate já havia uma incrustação, a de
um pássaro voando, o que apontava para o aspecto físico do vôo, sem introduzir
uma transcendência, nem que seja irônica.
Essa reverberação significativa à distância precisa da memória do espectador
para funcionar. Se, na altura do bispo, tiver sido esquecido o alfaiate, é claro
que o efeito de enriquecimento não se produzirá. Em vários momentos, o filme de
Masagão solicita a memória ativa do espectador. Gostaria de citar outro exemplo:
já se estabeleceu uma relação entre a mulher deprimida e a lanterninha cansada
do quadro de Hopper. Mais adiante, aparecerá outro quadro famoso do mesmo
pintor, "Hotel room", com uma mulher sentada numa cama. Os letreiros que
acompanham esta imagem dizem todos respeito ao pintor, nenhum à personagem do
quadro. Neste vazio, a sedimentação da "cansaço" e da "depressão", se a memória
do espectador funcionar bem, lhe permitirá trabalhar esta nova personagem
feminina.
Neste caso, assim como na passagem para o conceptual, o filme solicita um
espectador ativo que, de alguma forma, prolonga a montagem nele próprio. Podemos
ir mais longe e tornar o espectador um montador. Será uma montagem ativada pelo
sistema do filme, suas associações de materiais díspares, sua circulação por
imagens e significações, a grande liberdade que lhe permite essa montagem de
tipo ensaística. Dou um exemplo do que seria uma montagem off (caso essa
expressão faça algum sentido), isto é, uma montagem com material que não está no
filme. A insistência do filme sobre a primeira metade do século nos permite
mobilizar a nossa memória e trazer à tona o filme de Chaplin "Em busca do ouro",
quando na seqüência de Serra Pelada aparece o letreiro "atrás do ouro".
Tal operação, aparentemente delirante, parece sugerir que o espectador pode
comportar-se de qualquer maneira diante de filme de Masagão, mas não é o caso.
Trata-se apenas de explorar ativamente o sistema em operação no filme e de
prolongar as pistas que ele nos abre. No caso de mobilizarmos o filme de Chaplin
não faremos nada mais do que nos valer de uma deixa que o próprio filme nos
oferece ao associar, ao plano de um homem que vende maçãs na rua, o letreiro "o
engenheiro que virou maçã", que remete ao título de um filme de João Batista de
Andrade, sem a presença de nenhuma imagem proveniente deste filme.
O teor deste artigo, que tenta analisar algumas linhas de trabalho de Masagão,
permite uma reinterpretação do título. Nós (mortos, ossos) que aqui (cemitério)
estamos, por vós (vivos) esperamos nós (imagens) que aqui (bancos de imagens)
estamos, por vós (novos cineastas, novos filmes) esperamos.
Jean Claude Bernadet
Curriculum do Diretor
FORMAÇÃO ACADÊMICA: Pontifícia Universidade Católica - SP Curso de Psicologia
(incompleto) 1978-1982 FORMAÇÃO PROFISSIONAL Estágio no hospital Psiquiátrico de
Trieste, Itália, onde se desenvolve uma experiência inédita no campo da
Psiquiatria, no sentido da abertura dos manicômios. 1979 - 1980. Trabalhou junto
com os psiquiatras Domingos Lalaina e Ronaldo Pamplona como assistente
psiquiátrico. Trabalho desenvolvido fora do consultório, no acompanhamento do
cotidiano de pacientes mais graves, para evitar sua internação. ATIVIDADES
CULTURAIS: Coordenador do Grupo SANIDADE / LOUCURA. Atuação junto a pacientes
psiquiátricos e profissionais da área,no sentido de denunciar a situação
desumana das instituições psiquiátricas brasileira. 1985 - 1986- Coordenador da
Rádio Xilik Experiência de rádio Livre em São Paulo 1986. Organizador da
Mini-Bienal da TV CUBO. Evento em que participaram artistas como Tomie Othake,
Wesley Duque Lee, Aguilar e outros, para arrecadar fundos visando a compra do
transmissor da TV CUBO. 1987 Coordenador da TV CUBO. Experiência pioneira de TV
Livre no Brasil. Fez inúmeras transmissões no Bairro de Pinheiros. Atualmente o
grupo está pleiteando um canal de UHF junto ao Ministério das Comunicações.1987
- 1988. Coordenador da Oficina para "ZAPPERS" (Uma conversa com sua TV).
Realizado nas Oficinas Culturais Três Rios, Secretaria de Estado da Cultura.
1988. Coordenador do HORIZONTV. experiência de Tv comunitária realizada com
alunos ginasianos da escola Horizontes. A partir desta experiência o curso de TV
foi introduzido no currículo escolar, na cadeira de Artes. 1991. Idealizador &
Coordenador do Festival do Minuto. O festival do minuto convida anualmente
realizadores a produzirem trabalhos com até 01 minuto de duração. Em suas seis
ediçoes o festival contou com cerca de 4.000 inscriçoes provenientes de 40
países. Em 1995 foi lancada a categoria Minuto Kids dirigida a crianças com até
13 anos. LIVROS: Co-Autor do livro: Rádios Livres a Reforma Agrária no AR. 2@
edição, esgotada. Editora Brasiliense. Co-Autor do livro: Rede Imaginária
Editora Companhia das Letras.
1991. VÍDEOS E FILMES REALIZADOS: TV CUBO Co-roteirista e repórter 1987 - 1988 -
Sexo, Fé, Sorte e Morte no Centro de SP Enquete realizada no Centro de São Paulo
para saber o que os paulistanos haviam sonhado na noite anterior. 1987 -
Neurotec Vídeo discute as influências das descobertas eletrônicas na vida dos
terrestres. Roteirista 1989: 11 hs e 30 minutos na estação da Luz. Dez
locais/fotos antigas da cidade de São Paulo, foram revisitados pelo olhar da
câmera de vídeo. Prêmio Estímulo da Secretaria de Estado da Cultura. 1989: O Ar
Pertence a Deus. Vídeo documentário que resgata as experiências de comunicações
eletrônicas não oficiais realizadas no município de SP na década de 80.. 1990:
Deus Tudo Pode. Vídeo edição de pronunciamentos à nação realizados pelos últimos
sete presidentes da república do Brasil.( 1964 a 1991). Prêmios: menção honrosa
do juri no ForumBHZVídeo 1991; Medalha de bronze nas olimpíadas de vídeo da
França 1992. 1991: 1 Minuto na Vida de André e Liza Só assistindo. PRÊMIOS:
prêmio SSV no ForumBHZVídeo 1991; Viagem para participar do 7@ Encontro de Vídeo
e Televisão em Monbeliard/França. 1991 EXPOSIÇÕES: Adote um Satélite (Uma
homenagem à TV) Galeria Fotóptica-1989; Museu da Imagem e do Som 1989; 7@
Encontro de Vídeo e Televisão de Monbeliard/França 1990. Atualmente a exposição
está sendo mostrada em Centros Culturais Europeus. 1989 "Volto Logo, Favor
Aguardar" Exposição realizada a partir de mapas da cidade de São Paulo. Galeria
da Consolação. 1990 "TOTENS DOMÉSTICOS" Sesc Pompéia- Videobrasil de 1992.
Domingo,
28 de novembro de 1999
`Nós que Aqui Estamos...' testa impacto na televisão
Documentário de Marcelo Masagão, com o inventário do século, é atração de terça no GNT
ALESSANDRO GIANNINI
Especial para o Estado
Marcelo Masagão pode ser chamado de tudo, menos de enganador. Certamente, seu Nós que Aqui Estamos por Vós Esperamos é um dos melhores acontecimentos cinematográficos do ano no Brasil. Rotulado pelo diretor como um "filme de montagem", faz o inventário do século por meio de imagens de arquivo. Quem não viu nos cinemas, poderá conferi-lo na próxima terça, às 22horas, no canal GNT (Net/Sky).
O título foi tirado da inscrição no pórtico de um cemitério do interior paulista. É uma referência direta à tese que Masagão quer provar: a história deste século aponta para a intensificação da violência e a banalização da morte.
Não por acaso, o cemitério é o ponto de partida do filme. É o local de onde ele pinça as biografias dos personagens, anônimos e famosos, que desfilam pela tela. Aboliu-se a narração, como se as imagens, acompanhadas apenas de música clássica e legendas explicativas, se bastassem.
Masagão compensa a falta de narração com a montagem de atração, fundamento da teoria do cineasta russo Serguei Eisenstein. Duas imagens em seqüência provocam, por analogia, uma terceira. Numa delas, muito criativa, cenas dos dribles de Garrincha são intercaladas com a célebre seqüência de Fred Astaire num pas-de-deux com um cabide, no filme Núpcias Reais (produção de 1951).
Nós que Aqui Estamos por Vós Esperamos está entre os oito filmes brasileiros mais vistos do ano, tendo ultrapassado os 40 mil ingressos vendidos. Hoje em dia, esses números podem ser considerados um sucesso. Masagão disse que, com esta bilheteria e mais os nove prêmios que conquistou até agora, conseguiu cobrir o investimento inicial de R$ 140 mil. "Com exceção de Renato Aragão, acho que eu sou o único cineasta daqui que consegue pagar seus filmes."
Masagão teve de interromper a montagem de seu novo filme, um documentário ainda sem título sobre o impacto da globalização nos pequenos centros, para ir até o Festival de Amsterdã. O filme causou impacto na comissão organizadora, dando origem a um debate sobre os rumos do cinema no próximo século.
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NÓS QUE AQUI
ESTAMOS POR VÓS ESPERAMOS
Por Viegas Fernandes da Costa 28/12/2002 às 12:27
Uma reflexão sobre o século XX.
"NÓS QUE
AQUI ESTAMOS POR VÓS ESPERAMOS"
por Viegas Fernandes da Costa
Já há algum tempo que me provocava o desejo de escrever sobre este filme que
tanto me impressionou. As primeiras cenas de "Nós que aqui estamos por vós
esperamos" (1999) me chegaram aos sentidos através de um programa de televisão.
Fragmentos em preto-e-branco, imagens do século XX... e o título! Só o título já
seria suficiente para me instigar a curiosidade: nós quem? vós quem? por que
esperam? Mas o fato é que apenas agora o desejo materializa-se em palavras, e
apenas agora o desejo tornou-se insuportável, porque escrever talvez seja isto:
uma catarse. Enfim...
Nós que aqui estamos por vós esperamos é a frase, sentença que assusta, que o
diretor Marcelo Masagão encontrou cunhada no portal de entrada de um velho
cemitério. E aconteceu aquela coisa tão comum nas artes: o acaso buscou
perpetuar-se. É esta sentença que nos alerta, ou melhor, que nos devolve o senso
de humildade, que marca a proposta do filme, que é a de discutir a banalização
da morte e, por extensão, a banalização da vida. E Masagão consegue então
construir um poema visual - quase não há palavras - pois o filme que nos
apresenta constrói-se de breves momentos do século XX perpetuados pelo registro
perspicaz, ou apenas incidental, de velhas câmeras e anônimos cineastas do
acaso. Uma profusão de imagens que se sucedem, envolvem-nos em uma trama
fortuitamente tecida e que desafiam àqueles que crêem no plano da vida, na
linearidade dos acontecimentos. Imagens que nos transportam da dor, do
sentimento de vergonha em relação ao ser humano, ao encantamento, ao
deslumbramento, pois é humano, e sempre "demasiadamente humano", o ódio e o
amor. Portanto, não é um filme pessimista, é um poema, e como tal, desequilibra.
E o primeiro desequilíbrio que me esbofeteou o rosto foi o de perceber que
aqueles que via na tela, pessoas comuns que possuíam uma data de nascimento, um
nome e, quiçá, sonhos, eram pessoas comuns! Eram, sim, e que contribuíram,
consciente ou inconscientemente, na construção deste mundo que com tantos
prazeres e desprazeres nos brinda hoje. Pessoas esfalfadas no cansaço provocado
pelo sempre tão importante trabalho; pessoas felizes, que sorriam, gargalhavam
até, ou pessoas desesperadas, naufragadas em prantos. O século XX foi estas
pessoas e aquilo que sonharam ou deixaram de sonhar!
Não pude permanecer indiferente ao filme, e também quis elencar as imagens que
me marcaram neste século cujo fim já festejamos. Apesar de muito jovem e de ter
vivido apenas o último quartel do século passado, algumas cenas permanecem
indelevelmente marcadas em minha memória, tatuadas em minhas retinas, como a do
jovem chinês que enfrentou uma coluna de tanques na Praça da Paz Celestial ou a
da enorme multidão que se lançava sobre um punhado de arroz lançado no solo
árido de sonhos da Etiópia. Lembro-me, e ainda com assombro, da inenarrável
massa de homens de torso nu, qual formigas, a subir e descer a enorme cratera de
Serra Pelada em busca de ouro; bem como não posso esquecer do cheiro e da
consistência da tinta com a qual marquei meu rosto em protesto ao governo
Collor. Jovem como sou, os últimos suspiros da ditadura militar brasileira só me
chegaram como uma amarga brisa, era criança, e como tal, só percebia meus
brinquedos e um pouco do medo que se ia nos rostos de alguns, e por isso me
soava como um mito saber dos tempos em que estudantes se lançavam às ruas em
protesto, empunhando nas mãos uma bandeira e acalentando no peito um desejo.
Quando pintei meu rosto e me juntei aos muitos que cantavam "Para não dizer que
não falei das flores", a brisa transformou-se em furacão, e então pude entender
aquilo que só me tocava de leve. Este entendimento provocou-me cicatrizes que
dificilmente serão apagadas - e nem quero que se apaguem!
Muitas imagens carrego, algumas de antes de ter nascido, como a do corpo
franzino de Gandhi que arrastava atrás de si uma Índia inteira e que unia os
opostos através da sua fome. Como esquecer Gandhi?! E como esquecer Chico
Mendes, tão covardemente morto? "Nós que aqui estamos por vós esperamos", e um
dia também esperaremos nós, e que sejamos lembrados por aquilo que fizemos! Ao
"esperar" não quero que lembrem o século XXI pelas torres que tombaram, nem
pelos corpos insepultos dos palestinos tão covardemente assassinados e dos
judeus vitimados pelo ódio. Não quero que se nos lembrem pelo sangue que manchou
a pequena ilha do Timor (e que ainda mancha), mas pelo aroma do sândalo que
voltará a recender na terra "em que o Sol nasce primeiro". Ainda há tempo, o
século apenas inicia, e sonhar que o silêncio dos funerais pode ser substituído
pelo silêncio daquele que ouve e, ouvido, sabe compreender e, sabendo
compreender, aprende a conviver, ainda é possível.
"Nós que aqui estamos por vós esperamos", também esperaremos... E que o próximo
filme possa mostrar que a banalização da vida ensinou-nos a valorizá-la. Afinal,
o século XXI seremos nós, nossos prantos e nossos sorrisos, nossos sonhos e
aquilo que deixamos de sonhar.
*O autor é historiador, professor e escritor
Blumenau, 10 de dezembro de 2002.
Email::
viegasfc@terra.com.br
URL::
http://www.viegasdacosta.hpg.ig.com.br
Eu já assisti esse filme também
Lena 28/12/2002 20:54
garrrota_disgraceira@hotmail.com
eu assisti esse filme faz uns 2 mezes.. kra.. eu fikei impressionada com aquilo. tipo o filme começa com a camera entrando num cemiterio... o filme intero conta a historia da humanidade atraves da vida de algumas pessoas.... sao historianhas rapidas de vidas de algumas pessoas q nao sao famosas nem nadas, simples mortais como nós q já morreram..... eu chorei muito quando o vi, nao tem como nao se emocionar... tudo q agente ve sobre a morte das pessoas em guerras em conflitos na tv parecem apenas numeros, 1 milhao de pessoas morreram... essas coisas... numeros num descrevem a dor dessas pessoas, e a grande sacada do filme foi isso, tipo mostrar o lado humano, o sofrimento e a vida dessas pessoas. enquanto vc vai vendo o filme vc vai percebendo q eram pessoas como vc, q tem hobbies, trabalham , esutdam... tudo q vc faz.. nao tem como nao se emocionar. quem tiver oportunidade assista esse filme... eu me senti muito mais humana depois de vê-lo